Meloni, da Itália, perde referendo sobre reforma judicial

Giorgia Meloni

ROMA, ⁠23 Mar (Reuters) – Os italianos rejeitaram enfaticamente uma emblemática ⁠reforma judicial defendida pela primeira-ministra, Giorgia Meloni, desferindo um golpe em ‌sua coalizão de direita antes das eleições gerais do próximo ano.

Com a maioria das cédulas contadas após o referendo realizado entre o ‌domingo e esta segunda-feira, o bloco do ‘Não’, apoiado pela oposição, obteve quase 54% dos votos, contra 46% a favor da iniciativa do governo de reescrever a Constituição e reformular o Judiciário italiano, que é extremamente independente.

‘Os italianos decidiram e nós respeitamos essa decisão’, disse Meloni em ⁠uma ‌mensagem publicada nas redes sociais.

‘Claramente, lamentamos essa oportunidade perdida de modernizar ⁠a Itália, mas isso não muda nosso compromisso de continuar trabalhando com seriedade e determinação para o bem da nação’, acrescentou, deixando claro que não tem intenção de renunciar.

O comparecimento às urnas foi muito maior do que o esperado, quase 60%, com ​os eleitores aparentemente animados por uma campanha acalorada que revelou a profunda animosidade entre a coalizão de direita e os magistrados italianos, ​o que deixará marcas duradouras.

Bella Ciao

Cerca de 50 magistrados se reuniram no tribunal da cidade de Nápoles, no sul do país, para acompanhar a apuração e começaram a cantar o hino antifascista da resistência ‘Bella Ciao’ quando ficou claro que o governo havia perdido.

A derrota ‌tira de Meloni a fama de vencedora aos ​olhos do eleitorado italiano após quatro anos de vitórias em uma série de pesquisas locais e nacionais.

‘Quando um líder perde seu toque mágico, todos começam a duvidar dele, ⁠e há uma coisa ​que ele absolutamente ​não pode fazer. Ele não pode fingir que tudo continua como sempre’, disse Matteo Renzi, ⁠que deixou o cargo de primeiro-ministro ​em 2016 após perder um referendo sobre sua própria agenda de reforma constitucional.

Em contrapartida, o resultado pode ainda reenergizar a fragmentada centro-esquerda, dando aos dois ​maiores partidos de oposição, o Partido Democrático e o Movimento 5 Estrelas, o ímpeto para forjar uma ampla aliança e ​enfrentar o bloco ⁠conservador.

‘Conseguimos! Viva a Constituição’, disse o líder do Movimento 5 Estrelas e ex-primeiro-ministro Giuseppe Conte.

O momento ⁠da disputa se mostrou desafiador para Meloni, com os italianos nutrindo uma clara antipatia por seu aliado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e temerosos que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã aumente os já altos preços domésticos de energia.

(Reportagem de Crispian Balmer e Angelo ​Amante)

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