Após chegar ao menor valor em dois anos, até onde a queda do dólar pode ir?

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Os últimos desdobramentos do conflito no Oriente Médio trouxeram otimismo aos mercados, com alta do Ibovespa e dos principais índices em Nova York. Na esteira desse movimento, o dólar passou a operar em forte queda já na sessão de quarta-feira (8), atingindo o menor patamar desde maio de 2024.

Os movimentos no câmbio coincidiram com um rali das ações e dos títulos governamentais, já que o apetite dos investidores por risco voltou rapidamente depois que o cessar-fogo foi anunciado menos de duas horas antes do fim do prazo dado por Trump para que Teerã reabrisse o Estreito de Ormuz. Com a tendência baixista, surge a pergunta: até onde a divisa pode cair?

Para analistas, é difícil cravar qual será o patamar em que o dólar deve se acomodar, especialmente considerando que se trata de um momento de valorização do real, em movimento contrário ao da divisa norte-americana no cenário global.

A menor exposição do Brasil ao conflito no Oriente Médio afeta positivamente o cenário doméstico, segundo Lucca Bezzon, especialista de inteligência de mercado da Stonex. Esse distanciamento faz com que investidores passem a considerar o real como alternativa relativamente segura, em busca de retorno com menor risco geopolítico.

“O Brasil, como exportador relevante — especialmente de petróleo —, se beneficia de preços mais altos, favorecendo a balança comercial e atraindo fluxos para empresas do setor energético, como a Petrobras”, afirma.

Outros aspectos também ancoram o movimento, como os juros ainda elevados no Brasil, que seguem sustentando a entrada de capital estrangeiro no país, e as commodities em patamares mais altos. O especialista ressalta ainda que, antes do conflito, o dólar já operava com tendência de queda e deve retomar esse movimento com a redução das tensões.

O que esperar?

Com a volatilidade atual, especialistas divergem sobre o nível que a moeda pode atingir. Para Bezzon, a queda significativa já registrada no ano — de cerca de R$ 5,50 para algo próximo de R$ 5,10 — indica que parte relevante do movimento já foi precificada. Isso poderia limitar novas baixas no curto prazo, na visão do analista.

A perspectiva de manutenção de preços menores para os barris de petróleo, assim como a confirmação da queda da moeda norte-americana, pode abrir oportunidades para investidores, segundo Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos. Ele pondera, contudo, que as posições devem ser montadas em tranches (de forma segmentada), com cautela e gestão de risco.

“Nesse cenário, acredito que há alternativas interessantes no dólar, que recua com força, para quem deseja aumentar a exposição em portfólio no exterior ou em investimentos dolarizados”, afirma.

Dólar abaixo de R$ 5?

Para Paula Zogbi, estrategista da Nomad, é possível esperar que a moeda chegue a um patamar inferior aos R$ 5,00. A movimentação do real foi menos extrema do que o esperado, e ela considera que a moeda brasileira se comportou de forma “saudável” ao longo do conflito no Oriente Médio, com picos próximos de R$ 5,30, mas se consolidando no intervalo entre R$ 5,20 e R$ 5,25.

“O real se comportou até melhor que o DXY (índice que mede o valor do dólar frente a uma cesta de moedas fortes), ou seja, mesmo em um ambiente de forte aversão ao risco, a oscilação foi relativamente contida”, afirma.

Com fundamentos favoráveis ao real — como fluxo estrangeiro, diferencial de juros e realocação de capital para emergentes —, o petróleo passa a ser mais um vetor de apreciação cambial para a Nomad. Esse fator poderia contribuir para que a moeda brasileira se aproxime ainda mais da região de R$ 5,00.

A casa também considera que a volta do índice dólar (DXY) a patamares mais baixos pode ser um gatilho importante para o fortalecimento do real e de outras moedas emergentes. A alta recente da moeda norte-americana globalmente se explica pela busca por segurança em meio ao conflito, interrompendo, temporariamente, a tese de um dólar estruturalmente mais fraco.

“Além disso, a política monetária dos EUA foi reprecificada — saímos de um cenário com dois cortes de juros projetados para praticamente nenhum”, diz.

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